Este conteúdo aborda a tokenização de ativos, explicando como o processo funciona e por que ele vem ganhando espaço no mercado financeiro. O artigo também apresenta suas aplicações no mercado de capitais e no setor imobiliário, além de aspectos como fracionamento, contratos inteligentes e interoperabilidade. Ainda, o texto mostra quais fatores devem ser avaliados em uma estrutura tokenizada, considerando aspectos tecnológicos, econômicos e regulatórios.
Um movimento vem ganhando força no mercado financeiro e merece a atenção de investidores e profissionais: a tokenização de ativos. Ela representa um processo capaz de ampliar as formas de registrar e acessar diferentes estruturas por meio da tecnologia.
Embora seja frequentemente associada aos criptoativos, a tokenização também se aplica a outros bens e direitos. No Brasil, o tema avançou e passou a integrar discussões sobre a evolução da infraestrutura do mercado de capitais.
Neste post, descubra como funciona a tokenização de ativos, por que ela ganhou relevância e qual é a sua relação com o mercado de capitais!
O que é a tokenização de ativos?
A tokenização consiste em representar digitalmente um ativo ou direito por meio de um token. Ele é registrado em uma infraestrutura tecnológica, como a blockchain, que armazena e valida informações sobre essas representações.
Entretanto, a tecnologia por trás do processo não altera a natureza econômica do ativo. O que muda é a maneira como essa relação pode ser formalizada, registrada e movimentada dentro da estrutura.
Em uma estrutura tradicional, a propriedade sobre um direito é formalizada por documentos e registrada nos sistemas correspondentes. Na tokenização, essa relação passa a ser representada por tokens, registrados em uma infraestrutura de tecnologia de registro distribuído.
Ainda assim, a tokenização não precisa operar de forma isolada do sistema financeiro tradicional. Prova disso é o movimento que o mercado vem fazendo para aproximar essas duas estruturas.
Por que a tokenização vem ganhando espaço no mercado financeiro?
O crescente interesse pela tokenização ocorre por diversos motivos. Um deles se encontra justamente nas características das tecnologias de registro distribuído. Elas permitem registrar informações que podem ser compartilhadas entre os participantes de uma rede, conforme as regras de acesso dessa infraestrutura.
Transparência, integração com o sistema financeiro tradicional e novas possibilidades de automação apoiam o avanço da tokenização. O desafio atual é implementá-la em escala institucional.
O Brasil vem ocupando espaço nesse movimento, contando com uma combinação entre:
grandes instituições financeiras dispostas a experimentar novas tecnologias;
diálogo entre reguladores;
iniciativas como o drex, moeda digital oficial do Brasil.
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) também vem avançando nas discussões sobre a tokenização de valores mobiliários. Em julho de 2026, a autarquia criou o Grupo de Trabalho de Tokenização, que reuniu representantes de diferentes áreas.
A intenção é:
estudar experiências nacionais e internacionais;
avaliar impactos das DLTs (Distributed Ledger Technology, ou Tecnologia de Registro Distribuído) sobre o mercado de capitais;
testar protótipos em ambientes experimentais.
A iniciativa da CVM dá sinais de que a tokenização deixou de estar restrita a experimentos tecnológicos, passando a compor as discussões sobre a própria infraestrutura do mercado financeiro.
Leia mais: O Brasil está 18 meses à frente do mundo em renda fixa tokenizada
Como a tokenização apoia a evolução das estruturas do mercado de capitais?
A tokenização pode mudar a forma como algumas atividades do mercado de capitais são realizadas, sem necessariamente mudar a natureza dos ativos envolvidos. A tecnologia impacta o registro, a movimentação e o acompanhamento dos direitos e bens.
A possibilidade de concentrar processos distintos em uma infraestrutura digital tende a reduzir etapas operacionais e facilitar a circulação de bens e direitos. Apesar disso, os ganhos dependem de como cada estrutura é desenhada.
Essa transformação também pode alterar a relação entre os diferentes participantes do mercado. O registro de informações sobre ativos e direitos em uma infraestrutura compartilhada facilita o acompanhamento das transações e das alterações.
No processo de tokenização, merece destaque a opção de automatizar algumas etapas dos procedimentos do dia a dia — muitas vezes, burocráticas. Por meio de contratos inteligentes, regras previamente estabelecidas conseguem acionar ações automaticamente, desde que as condições previstas sejam atendidas.
No entanto, para que a tokenização se integre às infraestruturas já utilizadas pelo mercado, é necessário estabelecer padrões dedicados à interoperabilidade. Eles servem para manter a comunicação entre redes e sistemas.
Por fim, a tokenização ganha relevância no mercado de capitais por oferecer a opção de fracionamento de bens ou direitos em unidades digitais. Embora sua aplicação dependa da natureza do ativo, dos direitos envolvidos e das regras aplicáveis, isso dá origem a estruturas granulares.
Tokenização e mercado imobiliário: como funciona?
Uma das aplicações da tokenização está nas estruturas do mercado imobiliário. Nele, a tecnologia registra digitalmente ativos ou direitos vinculados a uma operação, proporcionando um novo modo de acesso à estrutura.
O modelo pode envolver:
ativos reais: frações de direitos econômicos relacionados a um imóvel;
recebíveis: parcelas futuras de contratos de compra e venda de imóveis;
operações de crédito: créditos concedidos a uma empresa para financiar um empreendimento imobiliário.
Esse formato também permite o fracionamento dos instrumentos financeiros, reduzindo a necessidade de acessar uma estrutura imobiliária por meio da aquisição integral de um bem.
Além disso, a tokenização contribui para estruturas de negociação mais flexíveis, inclusive com a possibilidade de mercados secundários, dependendo do modelo adotado.
Por exemplo, aqui na BAUEN Invest, usamos a tokenização do mercado imobiliário como ferramenta. Combinamos conhecimento de estruturação com tecnologia para ampliar o acesso a operações relacionadas ao setor.
Para nós, o ponto central é entender a estrutura que existe por trás da representação digital. Assim, a tecnologia fica a serviço de estruturas imobiliárias bem construídas, conectando inovação às características de cada operação.
O que avaliar em uma estrutura tokenizada?
Ao avaliar uma estrutura tokenizada, seja do mercado financeiro ou não, a análise deve considerar três dimensões.
A primeira é tecnológica, levantando questionamentos sobre como o bem ou direito será registrado digitalmente e quais mecanismos sustentam essa representação. A segunda é econômica, dedicada a verificar ativos envolvidos, geração de fluxos financeiros, garantias e condições da operação.
Já a terceira é regulatória, considerando as regras aplicáveis ao ativo, aos direitos representados e à própria operação. Esses cuidados evitam tratar a tecnologia utilizada no processo como sinônimo de retorno ou como substituta da análise.
A tokenização de ativos representa uma frente de transformação no mercado financeiro. Seu desenvolvimento acompanha o avanço da tecnologia e a evolução regulatória, fazendo com que o processo se faça presente em setores distintos, inclusive no imobiliário.
A BAUEN Invest utiliza a tokenização em estruturas relacionadas ao mercado imobiliário. Entre em contato conosco e saiba mais sobre nosso trabalho!